07.08.08
pai babão Hoje a Paradoxo faz 5 anos ;¬]
31.07.08
antes de tudo Era uma noite daquelas, de meio de semana, em que tudo o que se pode fazer é dar uma volta com os amigos ou ir ao cinema. Já passava das 19h, e ele estava atrasado. O filme começaria em dez minutos e ela ainda o aguardava no saguão. Em seu rosto, nem sinal de ansiedade ou resignação. Já tinha os ingressos na mão. Se ele - que não era nada seu e nada a ela devia - não chegasse, o azar era o dele; ela realmente queria assistir àquele drama. Sozinha ou acompanhada. Não se importava, ainda que tivesse se vestido como quem se importaria muito com um possível desencontro. Não... ela se importaria, sim.
Enquanto esperava, preferiu não se sentar. Não queria amassar o seu vestidinho azul escuro que fazia par com aquelas sapatilhas pretas lustrosas que ganhara de um amigo em seu último aniversário. Escorada na bancada da bomboniere, de frente para a entrada do local, contava os degraus da escada que dava em uma das salas de projeção. Recusava-se a olhar para o relógio de cinco em cinco segundos.
Esbaforido, ele surgiu do outro lado da rua. O trânsito era intenso, o semáforo era distante e ele, que olhava de um lado para o outro, parecia que nunca conseguiria atravessar. Ela o observava pela porta de vidro e achava divertido o semblante irritadiço de alguém que se sentia ilhado do lado de lá a esta altura do campeonato. E achava bonitinho e engraçado o bagunçar de seus cabelos pelo vento frio e certeiro que batia na cidade durante aquela noite de setembro.
Quando enfim entrou, veio sorrido e se desculpou - entre um beijo e outro dos ainda formais cumprimentos - pelo atraso. Era mesmo difícil achar uma vaga naquela área. Mesmo atrasado, ele insistia em comprar um saco de pipoca e refrigerantes para os dois. As opções dela ante a cena eram aceitar, sentar e aguardar, ou aceitar, acompanhá-lo à fila e aguardar. Ela ficou com a primeira.
Daquele banco marrom, no centro do salão, o observava em seu jeans-camiseta-tênis-mãos-no-bolso milimetricamente arrumado para figurar o ar displicente que passava. Naquele momento, ela viu tudo. Viu que iriam se beijar aos 47 minutos do filme - já que beijo ela negara naquela noite em que se conheceram, na festinha íntima que rolou na casa de uma amiga no sábado anterior. Viu que se apaixonaria perdidamente pelo sorriso daquele rapaz de poucas - mas belas - frases. Que passeariam de mãos dadas pelo seu bairro em domingos de sol e ririam um do outro por motivos que nem eles saberiam quais, mas que fariam todo sentido naquele instante. Viu-se dali a pouco mais de mês deitada, nua, ao seu lado, naquela manhã abafada de sábado. Desperta, observaria seus traços e respiraria no compasso do levantar e abaixar do peito dele.
Dali a poucos meses, ela podia ver: discutiriam aos berros pelos corredores do seu apartamento, chorando histéricos sem saber muito bem porquê. Mas logo, logo, enternecidos por aquela paixão toda, renderiam-se à reconciliação. Ela cozinharia um jantar rápido, de camisetão e calcinha, enquanto ele lia uma revista qualquer e preparava o quarto para o filme que veriam juntinhos em seguida.
Sentada ali, olhando para ele a esperar por um saco de pipocas, ela via o quão feliz seria ao seu lado, ouvindo todas aquelas inconseqüentes palavras dos apaixonados, todas aquelas frases verdadeiras quase mentirosas. Viu o quanto gostaria daquilo e corresponderia à altura. Viu as cartas de amor que receberia e as poucas respostas que ensaiaria, mas que acabariam esquecidas no fundo de uma de suas gavetas, lá bem dentro.
Ela o mostraria que a vida vale a pena e que cada minuto que passa é um minuto que se perde, mas também é um minuto que se renova. Anseios para quê, então? Ele a ensinaria a ler olhares. E a entender as entrelinhas, mesmo que o roteiro de suas vidas fosse escrito em cadernos de pauta dupla.
Ele salgava a pipoca e pedia duas sprites quando ela viu o quão ensandecido ele se tornaria no meio daquela relação. Viu também como ela não suportaria se imaginar sem ele nem imaginá-lo na companhia de outra, mesmo que num passado empoeirado de caixas de sapato no alto do armário. Tornariam-se doentiamente obsessivos pela idéia da perda que se esqueceriam dos seus atuais direitos de posse.
Naqueles últimos segundos de voyeurismo mediúnico que lhe restavam, ela viu o quão desesperado ele ficaria com a tragédia que se anunciava; eram poéticos demais, sonhadores demais. E ela se viu impotente com uma mão cheia do amor que sentia e a outra vazia por conta da erosão dos medos.
Com as mãos ocupadas, ele se aproximava apressado, trazendo no rosto o sorriso cálido que a encantaria minutos depois. Ela se levantou. Beijou-o suavemente nos lábios com a intimidade de uma esposa e sussurrou em seu ouvido que precisava fazer-lhes um grande favor.
Virou as costas e fugiu segurando forte a alça da sua bolsa e pedindo a Deus que jamais se arrependesse de ter acreditado em sua própria novela das oito.
23.07.08

'primeiro ano do resto da minha vida' Hoje faz um ano que me mudei para o Rio. E é óbvio: o novo, depois que cai na rotina, perde todo o seu glamour. A "Cidade Maravilhosa" de Manoel Carlos e seus amigos fica só na TV e nas campanhas institucionais da prefeitura. Mas, é claro, morar aqui tem lá o seu charme e o seu valor.
Acordar de manhã, num dia frio de céu azul e sol forte do inverno carioca, e dar de cara com o Cristo Redentor, lá no alto; estar sempre rodeado de verde; ter sempre por perto uma paisagem-cartão-postal para apreciar; querer fazer algo sem gastar dinheiro e ter o prazer de ser feliz por apenas dar uma volta na Lagoa; ter sempre uma programação cultural ao seu dispor, por mais que você quase não tenha tempo para curti-la; saber que a praia e o mar está logo ali, ainda que você não tenha mais aquela vontade toda de torrar ao sol; poder esticar a mão e ter um táxi à disposição, ao estilo Manhattan dos Trópicos...
Mas a eterna sensação de insegurança e o caos urbano incomodam bastante. O carioca vive com medo - e isso já é quase um clichê. Você encosta em alguém para perguntar as horas e a pessoa se encolhe, se retrai, com cara de susto no primeiro momento. Por falar no carioca, ah o carioca... por aqui, a cultura do malandro - enaltecida pelos meios e institucionalizada pela cidade - está tão arraigada ao dia-a-dia das pessoas que elas já nem percebem. Fato é que, por aqui, a sensação é de que é preciso estar sempre ligado ou algum "esperto" vai te passar para trás: seja no táxi, que, enquanto o taximetro está sendo reajustado, cobra via tabela... e vai que a tabela foi alterada?, seja o não-respeitar de filas em locais públicos, por exemplo. O senso de coletividade, por essas bandas de cá, se perdeu - "farinha pouca, meu pirão primeiro", sabe como?
No carioca way of life, as relações são, quase sempre, superficiais. Não saem da mesa de bar, não sobem o elevador. Todo mundo conhece todo mundo, mas amigo mesmo, são de poucos.
Afora isso, há também outra grande característica da vida por aqui: a impaciência e a brutalidade com a qual as pessoas lidam com o trânsito e o caso de amor que eles têm com a buzina de seus carros. É impressionante, e até irritante, como grande parte dos cariocas são incapazes de pensar no outro quando sentam à frente de um volante. Ligue a seta para mudar de pista e você vai ver o motorista da pista ao lado acelerar imediatamente. Reduza para entrar na rua transversal e logo verás o "castigo" do farol alto do carro de trás refletir em seu retrovisor. E os motoristas de ônibus? Esses dispensam comentário. Mas o mais engraçado de tudo isso é que eles adoram criticar, xingar e até se irritar com coisas no trânsito que eles mesmos fazem. E quando fazem e são xingados ou repreendidos, acham ruim. Hahaha! É quase divertido notar. Quase.
De qualquer forma, a cidade é apaixonante. Desde a primeira vez que vi o Rio de cima e escutei "Em instantes pousaremos no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão" na cabine, a trilha sonora involuntário na cabeça começa a tocar: Rio, seu mar / Praia sem fim / Rio, você foi feito prá mim.
15.07.08
das suturas às cordas Jorge Dexler é uruguaio. Largou a medicina para se dedicar a música. Conheci hoje, quando Ticcia me sugeriu umas músicas.
"No tengo a quien rezarle pidiendo luz / Ando tanteando el espacio a ciegas / No me malinterpreten / No estoy quejándome / Soy jardinero de mis dilemas. [...]"
10.07.08
jelly flower

08.07.08
grávida por um dia Hoje uma amiga - maluca, diga-se de passagem - comoveu uma "multidão" com sua gravidez. Soltou a notícia no meio da mailing de alunos do seu curso de faculdade e em pouco mais de uma hora já tinha gente até de fora do país a parabenizando [ou dando esporro!]. Só que era tudo uma brincadeira. E ela se saiu muito bem: "Pensa só. Sou brasileira e tenho o direito de enganar o País uma vez na vida sem ser presa por isso, pô".
Hahaha. Muito bom!
06.07.08
ao recife A primeira vista que tive do Recife, ainda de dentro daquela baleia branca voadora, foram os arranha-céus. Há anos de minha última passagem pela cidade, não podia dizer "oh, como cresceu" - não é de hoje que Recife é uma metrópole, é verdade. Mas o fato de nunca ter reparado naquele jardim de espigões me chamou a atenção ali do alto, rumo aos Guararapes. "Favor retornar o encosto de sua poltrona à posição vertical e observar os avisos luminosos de apertar cintos".
O aeroporto, onde já fiz intermináveis conexões calorentas em inícios e fins de férias de verão, agora é outro. Irreconhecível. O arquiteto foi muito feliz por ali. Soube aproveitar tão bem a luz natural que é abundante naquelas terras ensolaradas. Se não fosse a movimentação corrida de gente e suas malas, para cima e para baixo, seria até mesmo possível se esquecer de estar num aeroporto. "A Infraero anuncia a chegada do vôo GOL 1916".
Sem bagagens nem nada. Nas mãos, apenas a espera da hora do próximo vôo, procurei um restaurante, mas o almoço não foi dos melhores. Pouco importava. Eu estava ali e estava rumo a uma surpresa. Ou melhor, a fazer uma surpresa - ser surpreendido é tão bom, mas também gosto tanto de pensá-las. Sentado ali, com metade do prato posto à escanteio, finalizava a coca-cola, checava o falatório online e ensaiava ler uma revista. Lembrei que naquela terra, além de parentes distantes, tinha alguns amigos. Mandei uma mensagem de celular para uma, que estava prestes a casar. Só para avisar que estava por ali.
Sentado ali, deu saudade das viagens de verão, das férias ao fim do ano. Viagem de família. Era tudo tão divertido. Planejar, fazer calendário de cartolina e canetinha, ir marcando os dias... O tempo passou e isso vai ficar no passado, como lembrança boa, fotografia velha, álbum com cheiro de guardado na casa dos pais.
05.07.08
nota mental Amanhã eu vou escrever aqui. Qualquer coisa.
30.06.08
sete anos de blog - abrindo o baú - parte 4 final Infelizmente, a programação para o mês de aniversário [hein?] do blog [16/06] nã rolou como esperado. Mas ainda é dia 30, ainda é junho. Vamos ao último post 'comemorativo' deste buraco que, hoje, está às moscas.
30.06.2003
Voltando de casa para a escola, no início da tarde, achei um aviãozinho de folha de caderno jogado no meio fio. Parei, peguei, lancei no ar e lembrei-me um pouco da minha infância, de como eu era aficcionado por avião. De como eu adorava passar tardes e mais tardes no aeroporto no trabalho do meu pai. Muitas vezes sem fazer nada - isso julgo agora porque para criança sempre há o que se fazer. Era legal!
Por mark - 17:03
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30.06.2006
headspinning De repente um boom na vida. De repente o improvável acontece e começa a tomar solidez assim, frente a frente com você. ...assim, à luz do dia, na frente dos seus olhos. O curioso mesmo é como o improvável, mesmo que aguardado por anos e anos, pode assustar e mexer tanto com a cabeça da gente. Cabeça e coração. E estômago, claro!
E em um instante você quer tudo ao mesmo tempo; tudo isso agora; tudo ao mesmo tempo agora. E em um outro instante você já não quer nada, você vacila e fraqueja. Num outro momento houve palavras de força e de realidade e se revigora, mas o estômago, ah o estômago... esse continua ali, imutável, magnânimo. Tudo isso para te lembrar que o boom está aí, por vir. A perda de apitite se degladiando com o roncado da fome e a sua cabeça passa a não saber mais o que quer: come? Não quero! Não come. Preciso!

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30.06.2007
poverino Um blog abandonado pela correria ensandecida de seu dono :/
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30.06.2002
"Deus sempre perdoa
As pessoas, às vezes, perdoam
A natureza nunca perdoa"
PERDÃO não é um passado esquecido... É um passado tratado!
28.06.08
tudo o que eu queria
era ser entendido









